Após denúncia de greve fake, Consórcio Guaicurus é investigado por prática de locaute

Jornal Midiamax revelou denúncias de motoristas sobre possível intervenção dos empresários na paralisação do dia 22 de outubro

Garagem do Consórcio Guaicurus, em Campo Grande. (Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax)

 

O MPT (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) abriu investigação contra o Consórcio Guaicurus por suposta prática de locaute. A paralisação de motoristas de ônibus na manhã do dia 22 de outubro trouxe à tona denúncias de que o Consórcio Guaicurus estaria, mais uma vez, ‘forçando’ greve para pressionar a prefeitura de Campo Grande adiantar ou aumentar subsídios.

No dia seguinte à paralisação, o Jornal Midiamax revelou denúncias de motoristas de que a ordem para a greve teria articulação dos empresários do ônibus. Tal prática é conhecida como locaute e é proibida.

Assim, o MPT-MS instaurou procedimento preparatório, que é uma investigação inicial para levantar informações e provas para subsidiar um possível inquérito trabalhista contra o Consórcio Guaicurus.

“Os fatos narrados configuram afronta ao Ordenamento Jurídico e violação a direitos difusos e coletivos dos trabalhadores, viabilizando a intervenção do Ministério do Trabalho“, diz o documento do MPT. A denúncia foi formalizada pelo vereador Maycon Nogueira (PP).

 

O documento cita reportagem do Jornal Midiamax: ‘Extorsão velada’: motoristas acusam Consórcio Guaicurus de forjar greves por mais verba.

Por conter declarações de trabalhadores citando possível conluio entre os empresários do ônibus e o sindicato, o STTCU, que representa os trabalhadores, também foi colocado no rol de investigados.

Assim, o MPT deu prazo de cinco dias para o sindicato informar se houve convocação para deliberação da paralisação da categoria no dia 22 de outubro, com cópias de documentação para comprovar as alegações.

A reportagem tentou conversar com o presidente do STTCU, Demétrio Freitas, mas ele não respondeu.

A assessoria de comunicação e jurídica do Consórcio Guaicurus foi procurada para se manifestar sobre as investigações, mas não obtivemos retorno até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

Extorsão velada’: motoristas acusam Consórcio Guaicurus de forjar greves por mais verba

 

Motoristas que trabalham para o Consórcio Guaicurus e ex-funcionários acusam os empresários de supostamente forjarem as últimas paralisações do transporte coletivo de Campo Grande. Segundo a denúncia, o verdadeiro esquema de ‘extorsão velada’ implicaria donos dos ônibus, sindicalistas e contaria até com a conivência de representantes do poder público.

“Um movimento legítimo a gente fica sabendo antes, discute, ouve ao menos rumor. Mas, aqui, a gente chega pra trabalhar normalmente e é avisado pelos chefes, já na garagem, que é pra segurar os carros. Se isso não é armação, eu não sei o que é. Não sei quem teria que investigar isso, mas está escancarado e ninguém faz nada”, revela motorista.

Contratado há menos de 5 anos pelo Consórcio Guaicurus, ele afirma que os próprios encarregados dos empresários revelam o que está por trás.

“Não é pra ninguém sair. Segura os carros aqui até segunda ordem, porque eles querem primeiro dar tempo pra imprensa. Deixa eles falarem do caos, daí a gente volta. Isso aí é só pra liberarem uma verba que tá presa”, foi o aviso de um chefe gravado na garagem.

Segundo os motoristas que não concordam com a postura do Sindicato, a manobra é pensada para funcionar como um recurso de pressão. “É igual uma extorsão velada, sabe? Mas a gente acha que tá todo mundo envolvido. Parece que eles combinam entre eles pra fazer um auê e ter clima pra  soltarem mais grana”, resume ex-funcionário que chegou a integrar a diretoria do STTCU (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande).

MPT-MS alertou para locaute e coação de empregados

Sede do MPT-MS, em Campo Grande. (Foto: Divulgação/MPT-MS)

 

O MPT/MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) alertou que a conduta do Consórcio Guaicurus — concessionária que opera o sistema de transporte coletivo de Campo Grande — para forçar “greves fakes” de motoristas configura o ilícito civil de locaute. Essa prática consiste em patrões tentarem obrigar funcionários a paralisar o trabalho.

Ao Jornal Midiamax, o coordenador de Promoção da Liberdade Sindical do MPT-MS, o procurador do Trabalho Leontino Ferreira de Lima Junior, explicou que esse ato é proibido pela Lei de Greve (Lei Federal 7.783/1989).

“Se comprovadamente o empregador coage ou obriga os empregados a participar de paralisação ou greve com o objetivo de, em tese, atender a interesses da própria empresa, há desvio da finalidade constitucional do direito de greve”, declara.

Constatadas essas irregularidades trabalhistas, a empresa pode ser responsabilizada e ter de pagar indenização por danos individuais ou coletivos.

“Constatada a conduta antissindical, é devida a reparação dos danos individuais e coletivos ocasionados, seja reconstituindo os interesses violados, seja com indenizações, mediante atuação do MPT pela via judicial ou extrajudicial”, completa o procurador.

Fonte: Midiamax

Contato

Video:

© 2025 / 2026 – SUL MATOGROSSENSE  – CNPJ: 53.822.667/0001-36 – Todos os Direitos Reservados.