Alvo do Gaeco, prefeitura de Rio Negro tem servidor afastado por suspeita de corrupção

Justiça mandou suspender contrato, que já teria sido rompido, garantiu o atual prefeito

Agentes cumpriram mandados em cinco cidades. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

 

A Prefeitura de Rio Negro — município da região norte de Mato Grosso do Sul — foi um dos alvos da Operação Cartas Marcadas, do Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) nesta terça-feira (10). A ação mira um esquema de corrupção espalhado por várias cidades da região.

O atual prefeito, Henrique Ezoe (PL), não está na lista de mandados de afastamento. Ele foi secretário municipal de Finanças na gestão do ex-prefeito Cleidimar Camargo, o Buda do Lair (PSDB).

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, a investigação do Gaeco identificou o envolvimento de Buda do Lair, que ainda era prefeito. Por conta disso, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça), a qual chefia o MP, foi alertada, e o caso foi parar no TJMS.

Em nota, a defesa do atual prefeito informou que ele não é alvo da ação. Porém, um servidor foi afastado e houve determinação judicial para a suspensão de um contrato, que já teria sido rescindido.

Ezoe está em Campo Grande nesta terça-feira; ele chegou a publicar nas redes sociais que visitou a Alems (Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul). Porém, a reportagem não conseguiu encontrá-lo para obter mais esclarecimentos.

Leia na íntegra a nota da defesa do prefeito Henrique Ezoe:

“O prefeito de Rio Negro (MS), Henrique Mitsuo Vargas Ezoe, vem a público prestar esclarecimentos acerca da operação realizada no dia de hoje.

De início, cumpre esclarecer que a operação investiga contratos antigos, de outras gestões. Não recebi nenhum mandado em meu nome sobre as investigações.

Recebemos a determinação de afastamento de um servidor, que já foi cumprida. Também, a determinação de suspensão de um contrato, que já havia sido rescindido antes da operação.

Acompanhamos as buscas e estamos à disposição das investigações para quaisquer novos esclarecimentos.

Reafirmamos, por fim, nosso compromisso com a legalidade e integridade.“

Operação mira esquema de corrupção em Rio Negro e mais quatro cidades

Em 10 de fevereiro de 2026, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Cartas Marcadas, contra uma organização criminosa que fraudava licitações.

Foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, 22 mandados de proibição de contratar com o Poder Público, cinco mandados de afastamento de cargos públicos e três mandados de suspensão de contratos vigentes com o Poder Público em Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos.

A investigação constatou a existência de organização criminosa baseada em Corguinho e Rio Negro, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por agentes políticos que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso.

Servidores públicos foram corrompidos para frustrar o caráter competitivo de licitações, ou seja, impedia a competição de empresas, que era limitada àquelas que faziam parte do esquema. Nos últimos três anos, os contratos fraudulentos chegam a quase R$ 9 milhões.

A Operação Cartas Marcadas foi realizada com base nas provas obtidas de alguns telefones celulares apreendidos nas operações Turn Off e Malebolge, compartilhadas com autorização judicial, levando os promotores até os agentes políticos que lideravam o esquema.

A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), por meio do BPChq (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).

O termo que dá nome à operação, “Cartas Marcadas”, remete à ideia de um jogo previamente manipulado, em que o desfecho é conhecido antes mesmo do início. No caso, as contratações sob apuração foram direcionadas para as empresas investigadas, por meio de ajustes falsos, para aparentar legalidade a uma escolha que já estava determinada.

 

Fonte: Midiamax

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