Indígenas tentam retomada de terras e vão recorrer à Funai por área em Campo Grande

O grupo foi orientado pela Polícia Militar na região do Nova Lima

Tentativa de retomada de posse em Campo Grande. (Léo de França, Midiamax)

 

Indígenas tentaram retomar terras aos fundos da Aldeia Tarsila do Amaral, na região do Nova Lima, neste domingo (31). A manifestação pacífica terminou com orientações em Campo Grande e decisão das lideranças de formalizar o pedido de posse. Então, o grupo recorrerá à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) por ordem judicial.

Representante Guarani Kaiowá, Laucídio Nelson integra a comissão que atua nas pautas da comunidade indígena em Campo Grande. “Nós estamos culpando o que é nosso. Por que nós chegamos a esse ponto? Porque nós estávamos 27 anos aqui na Aldeia Água Bonita e o nosso representante joga [a gente] para lá, joga para cá”, disse ao Midiamax.

Nelso explicou que a terra seria de posse de comunidade indígena. “Nós não invadimos, essa área aqui é nossa, a nossa família que ocupou essa área”, afirmou.

No local, as equipes fizeram contato com o então proprietário da área e as lideranças indígenas. Assim, pediram as documentações que comprovem a posse da área.

Lideranças indígenas devem seguir orientações das equipes policiais. (Léo de França, Midiamax)

 

Documentação das terras

A equipe confirmou à reportagem que foi verificada uma possível posse de parte do terreno, com documentação da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural). Contudo, ainda não há registro de retomada da área.

Ao Midiamax, o tenente Falcão, da 11ª Companhia de Polícia Militar, informou que os documentos não são de posse ou retomada das terras.

Então, os policiais esclareceram que os trâmites legais precisam ser realizados. As lideranças foram orientadas a recorrer aos órgãos públicos. “Fizeram a deliberação entre eles e se comprometeram, na data de amanhã, a comparecer à Funai e seguir os trâmites para que essa ordem judicial venha”, disse o tenente.

Tenente deu orientações durante o ato indígena. (Léo de França, Midiamax)

 

Resolução

Após a movimentação, a situação foi resolvida pacificamente. “O conflito se resolveu da melhor forma possível e eles estão terminando de se deslocar do local agora.”

 

Por fim, o tenente orientou que, após os procedimentos formais, apenas as lideranças comparecessem ao passo final do processo: a retomada de posse.

“A gente já consegue, com o apoio da Polícia Militar, informar o outro cidadão de que o direito é deles”, explicou.

Também da comissão, Suzy Guarani reforçou que a ocupação foi “passiva, com compreensão, com documento”. A representante disse que a terra teria sido adquirida pela Associação Kaguateca Marsal de Sousa

Associação Kaguateca Marsal de Sousa

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À reportagem, ela disse que seguirão as orientações. “Ficou decidido que a gente vai fazer o documento. Como a gente falou, a gente não quer conflito com ele, a gente não quer nada de violência com os nossos filhos, com nossos netos”, disse.

Moradia

A liderança indígena explicou que a busca por retomada de terras é uma alternativa para melhores condições de moradia da comunidade. “É retomada dos nossos direitos, onde nós queremos que nossos filhos vivam, nossos netos vivam. Todos que estão aqui não têm onde morar, não têm como pagar aluguel”, comentou.

Suzy disse que “as famílias são vulneráveis, as comunidades indígenas de Campo Grande são vulneráveis, precisam de moradia digna. Nós somos abandonados, os nossos direitos são abandonados”, lamentou.

Além da Polícia Militar, a Polícia Civil e a GCM (Guarda Civil Municipal) acompanharam a situação. O outro possível proprietário da terra não estava presente para manifestações. No entanto, o espaço segue aberto para posicionamento.

 

Fonte: Midiamax

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