‘Se o Alcolumbre não pautar, o Brasil vai parar’, diz sindicato dos caminhoneiros de MS

Caminhoneiros de Mato Grosso do Sul aguardam decisão nacional sobre greve

Caminhões de carga em Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

 

A greve dos caminhoneiros pode chegar a Mato Grosso do Sul nos próximos dias. Segundo o presidente do Sindicam-MS (Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul), Osny Belinati, a categoria aguarda a definição das principais lideranças nacionais, como a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), para aderir ao movimento já iniciado no Porto de Santos, em São Paulo.

Belinati explica que, caso a MP do Frete não seja votada até esta sexta-feira (17), haverá paralisação geral em todo o país. “Estamos procurando um ponto de equilíbrio, enquanto tiver chance de chegar a um acordo, [a greve] não é necessária. Mas, se nada for feito, vamos seguir a orientação de paralisar”, afirmou o presidente ao Jornal Midiamax.

A Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, aguarda ser colocada em pauta no Senado Federal, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A proposta impõe penalidades às empresas que descumprirem o pagamento do piso mínimo do frete.

“Se o Alcolumbre não pautar, o Brasil vai parar”, afirma Belinati. “A MP veio pra estabelecer uma conduta das empresas com quem carrega. As empresas são quem detém o poder de carregar e descarregar, e o caminhoneiro autônomo fica na mão desse pessoal, que não tem responsabilidade com ninguém, só visa ao lucro”, explica.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) determina uma tabela com os valores mínimos de frete, a serem calculados de acordo com os quilômetros percorridos. No entanto, segundo Belinati, os contratantes realizam descontos indevidos, como pedágios, ICMS e outros direitos dos caminhoneiros autônomos. A MP do Frete busca aumentar a fiscalização e as multas por descumprimento por parte das empresas.

A medida está em vigor desde março de 2026, porém, por ser provisória, necessita da aprovação do Congresso para se tornar lei em definitivo. Se não for analisado até quinta-feira (16), o texto perderá a validade.

MS sem força?

O presidente do Sindicam-MS afirmou que a greve dos caminhoneiros só chegará a Mato Grosso do Sul sob determinação nacional. O porto de Santos, em , iniciou paralisação nesta segunda-feira (13). “Lá em São Paulo está parado, está bem ‘devagarinho’, porque eles têm força. Aqui [em MS], se parar, vai parar a BR-163”, explica.

Entrevistados pelo Jornal Midiamax nesta segunda, caminhoneiros autônomos de Campo Grande também foram a favor da greve, mas não demonstraram confiança de que o movimento chegará à Capital de MS. “Vai ser só pra lá [São Paulo] mesmo. Não vai virar nada, não”, disse um caminhoneiro, enquanto outro afirmou que “o povo daqui é ‘bundão’” e tem baixa participação nos movimentos.

 

‘Governo não tem culpa’

A possível greve geral dos caminhoneiros, segundo Belinati, não passa por uma insatisfação com o Governo Lula, que estaria dando apoio à discussão. “A questão é o Alcolumbre. O Governo está tentando; tem outras questões, como a escala 6×1”, explica.

“Nós discutimos a MP do Frete, fizemos reunião com os senadores, chegamos a um consenso. Mas, na hora de colocar em votação, o Alcolumbre, por causa de pressão dos embarcadores, ‘sentou’ em cima da MP”, critica o presidente do Sindicam-MS.

Conforme Belinati, as grandes empresas e embarcadoras não estão interessadas na greve e querem manter o modus operandi como antigamente. “Sempre teve a falta de padronização [dos fretes]; as grandes empresas compravam tantas mil toneladas, pro Porto de Santos, por exemplo, e as grandes embarcadoras tinham que fazer a nota fiscal. O problema é que às vezes o caminhoneiro carrega bem abaixo, sai R$ 4,5 mil na nota fiscal, mas ele recebe só R$ 3,2 mil”, explica.

Piso salarial favorece todos

Uma das principais reivindicações da categoria com a MP é a criação de um piso salarial para os caminhoneiros. Segundo Belinati, um valor justo seria acima de R$ 5 mil mensais. “A empresa tem que saber que o caminhoneiro está carregando um veículo de R$ 1,5 milhão. Hoje, dois pneus pagam seu salário”, explica.

A criação do piso salarial também iria favorecer os caminhoneiros contratados por empresas, que, segundo o presidente do Sindicam-MS, também estariam inclinados a aderir à greve. “Eles também estão interessados em parar se não chegarem a um consenso. Eles também vão ter um piso. Todo mundo tem que viver bem.”

Por outro lado, o assessor da presidência do Setlog-MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul) se posiciona contra a MP do Frete e desacredita a possível greve. “Acredito que essa paralisação não vai vingar. Não é motivo para você parar um país porque não votaram uma medida provisória que não foi discutida. Da forma que ela está, a MP do Frete não deveria ser aprovada, porque ela não foi discutida”, afirmou ao Jornal Midiamax.

Além disso, o piso estipulado de R$ 5 mil, segundo o líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), deve ser retirado durante a votação no plenário do Senado, que deve ocorrer entre esta terça (14) e quarta-feira (15). A mudança seria considerada uma supressão do texto, sem a necessidade de que a proposta voltasse à Câmara para nova votação.

 

Fonte: Midiamax

 

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