‘Aquele que deveria julgar o criminoso está envolvido’, diz Pollon sobre conversas entre Toffoli e Vorcaro

O parlamentar criticou ainda a postura do Senado Federal diante das acusações contra membros da Suprema Corte

Marcos Pollon. (Mário Agra, Câmara dos Deputados)

 

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) avaliou que a revelação de conversas envolvendo o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o banqueiro Daniel Vorcaro representam o “pior fato da história”. O parlamentar criticou ainda a postura do Senado Federal.

“Há indícios graves de que Tofolli é coautor dos delitos do caso Master, este fato é o pior da história do Brasil, pois aquele que deveria julgar o criminoso está envolvido. O pior de tudo é o silêncio do Senado. São eles os únicos que podem fazer alguma coisa em relação ao Supremo”, afirmou ao Jornal Midiamax.

O parlamentar considera que o escândalo envolvendo o caso do Banco Master “é muito mais grave que a Lava Jato”, operação que varreu Brasília a partir de março de 2014.

“Esse é o maior escândalo que poderia se acometer sobre uma nação, pois os seus protagonistas são membros da mais alta corte”, disse também o deputado nesta semana.

Conversas entre Toffoli e Vorcaro

A Polícia Federal (PF) oficializou, na noite de quarta-feira (11), ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, um pedido de suspeição contra o ministro Dias Toffoli.

A medida busca afastar o magistrado da relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Perícias em aparelhos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro revelaram mensagens com menções diretas ao nome do ministro, além de diálogos entre eles.

A decisão da cúpula da PF de reportar o caso diretamente à presidência do STF ocorreu porque Toffoli, na condição de relator, seria o destinatário natural das novas informações da investigação.

Diante do conteúdo encontrado, o material foi encaminhado a Fachin, a quem cabe processar pedidos de suspeição contra membros da Corte. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniu-se com o presidente do Tribunal na segunda-feira para tratar do fluxo processual.

O pedido de afastamento amplia o debate sobre a permanência de Toffoli no caso, que já era questionada devido a transações comerciais entre seus familiares e fundos de investimentos ligados ao Master.

Investigações apontaram que os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, negociaram fatias milionárias no resort Tayaya, no Paraná, com um fundo da Reag Investimentos. Esta empresa é investigada por conexões com fundos do Banco Master e suspeitas de sonegação bilionária no setor de combustíveis.

Documentos da Junta Comercial indicam participações societárias dos irmãos que somam R$ 6,77 milhões em empresas ligadas ao empreendimento.

A sede da empresa Maridt Participações, que concentrava parte dessas ações, foi registrada na residência de José Eugênio em Marília (SP), embora a esposa deste tenha declarado desconhecer o uso do imóvel para fins empresariais ou qualquer vínculo com o resort.

Vale lembrar ainda que, em novembro de 2025, Toffoli viajou no mesmo jatinho em que estava um advogado ligado ao Banco Master, para assistir à final da Libertadores no Peru. Desde então, a atuação do ministro no caso vem sendo amplamente questionada.

Posicionamento oficial

Em nota, o gabinete de Dias Toffoli classificou o pedido da Polícia Federal como baseado em “ilações”.

A defesa do ministro sustenta que a PF não possui legitimidade jurídica para solicitar a suspeição, uma vez que a instituição não é parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.

A manifestação oficial de Toffoli será encaminhada formalmente ao ministro Edson Fachin. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se manifestar sobre os novos achados.

Até o momento, não houve manifestação oficial da presidência do STF.

 

Fonte: Midiamax

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