Campo Grande precisa de 9 votos dos vereadores para barrar R$ 10,5 milhões ao Consórcio

Projeto que prevê isenção milionária do ISSQN ao Consórcio Guaicurus deve ser votado nas próximas semanas

Ônibus do Consórcio Guaicurus pegou fogo na Avenida Guaicurus, em 23 de maio de 2025, e assustou usuários. (Reprodução)

 

A votação que pode beneficiar o Consórcio Guaicurus com uma isenção de R$ 10,5 milhões (R$ 10.541.152.00) em impostos precisaria de nove votos dos vereadores da Câmara Municipal para ser barrada. O montante refere-se ao ISSQN (Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza), que tem sido alvo de isenções desde 2022, enquanto o serviço continua precarizado e caro para a população.

Calorão, superlotação, atrasos, goteiras, tarifa cara e frota sucateada estão na lista de reclamações constantes de quem usa o transporte coletivo da Capital.

De um lado, estão os vereadores que defendem a isenção sob a justificativa de não aumentar o valor da tarifa para os usuários, mesmo em meio à precariedade do serviço. Já os outros, não veem motivos para continuar beneficiando o Consórcio Guaicurus devido à má gestão e frota sucateada.

A isenção (Projeto De Lei Complementar Executivo nº 1015/2025) chegou a ser votada pela Casa de Leis em dezembro de 2025, mas, em meio à greve dos ônibus, não foi aprovada. Eram necessários 20 votos para que o Consórcio Guaicurus fosse agraciado com a isenção do ISSQN, mas a proposta recebeu apoio de 15 dos 29 vereadores.

Após o recesso parlamentar, a Prefeitura de Campo Grande encaminhou novamente o projeto à Casa de Leis nesta semana, por meio do Projeto De Lei Complementar Executivo nº 1030/2026. O presidente da Mesa Diretora, vereador Papy (PSDB), avalia que “não será fácil aprovarem” a proposta. Ainda não há data para a votação.

“O executivo tem trabalhado pela aprovação da ISS, é uma matéria que já foi reprovada no ano passado. Foi protocolado na quarta, vai passar pela nossa procuradoria e correr as comissões. A partir disso, estará apto a ir para o plenário para a votação. A Prefeitura argumenta a necessidade da isenção para segurar a tarifa, porém não foi suficiente para convencer os vereadores em dezembro. Na minha avaliação, não será fácil aprovarem”, afirma.

De acordo com o Regimento Interno da Casa de Leis, são necessários dois terços para a concessão de “anistia, isenção e remissão tributárias ou previdenciárias e incentivos fiscais, bem como moratória e privilégios”.

Assim, serão necessários, no mínimo, nove votos contrários ao projeto, já que o presidente da sessão não vota, com exceção para desempate. Assim, caso os dez vereadores mantenham o posicionamento, o “presente” ao Consórcio Guaicurus pode ser derrubado novamente.

Como os vereadores devem votar?

O Midiamax acionou os 29 vereadores para perguntar o posicionamento sobre a votação. Entre os que responderam, a maioria afirma que irá manter o voto – seja para a aprovação ou não.

Entre os que não votaram na sessão de dezembro, está o vereador Lívio Leite (União Brasil), que foi presidente da CPI do Consórcio Guaicurus. Ao Midiamax, ele afirmou que votará a favor da isenção do imposto sob a justificativa de não aumentar o valor da passagem. “A câmara, acho até que erradamente, derrubou essa isenção no final do ano passado, mas isso ia impactar diretamente a tarifa ao usuário e por isso eu entendo que ela tem que ser mantida”, justifica.

O vereador Junior Coringa (MDB), que foi membro da CPI, também não participou da votação no fim do ano passado. “Minha assessoria jurídica está analisando o projeto, estou aguardando parecer da assessoria para avaliar a melhor decisão, porém nesse momento meu posicionamento não muda”, afirmou.

Confira como deve ser o posicionamento dos vereadores em relação à isenção do ISSQN do Consórcio Guaicurus:

Contra a isenção

Landmark Rios (PT)

Marquinhos Trad (PDT)

Maicon Nogueira (PP)

André Salineiro (PL)

Jean Ferreira (PT)

A favor da isenção

Carlão (PSB)

Dr. Lívio Leite (União Brasil)

Clodoilson Pires (PODEMOS)

Ronilço Guerreiro (PODEMOS)

Indecisos/avaliam projeto

Prof. Riverton (PP)

Cabo Almi (PSDB)

Júnior Coringa (MDB)

Os demais 16 vereadores foram acionados pela reportagem, mas até o momento não obteve resposta. O posicionamento deles pode decidir se a isenção milionária continua ou será interrompida. O espaço segue aberto para manifestações.

Consórcio quer mais dinheiro

O Consórcio Guaicurus quer evitar a todo custo a intervenção na concessão do transporte público de Campo Grande. O grupo de empresas contestou a ação judicial que pode pôr fim ao “reinado” da concessionária que detém contrato bilionário do transporte coletivo da Capital.

A precariedade do serviço foi citada na decisão da Justiça publicada na semana passada. O Jornal Midiamax noticia há muito tempo essa situação, marcada por atrasos e veículos que vivem quebrando pelas ruas da cidade.

Para o Consórcio, a ação deve ser arquivada. Para as empresas Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos e Viação Campo Grande, não há motivo para discutir intervenção enquanto a Justiça não julgar pedido delas por mais dinheiro público — ou seja, reconhecer o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Sobre essa questão, está tramitando processo em que os empresários do ônibus pedem R$ 377 milhões à Prefeitura.

Na última sexta-feira (20), o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, revisou decisão anterior e deu até 9 de março para a Prefeitura abrir procedimento administrativo que vai investigar o Consórcio Guaicurus, podendo ou não levar à intervenção na concessão.

 

Fonte: Midiamax

 

 

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