Apresentação foi feita nesta segunda-feira (1º), no auditório da Governadoria

O Governo de Mato Grosso do Sul apresentou nesta segunda-feira (1º), no auditório da Governadoria, uma parceria com o Google para implantação do programa “Raízes do Futuro – Tecnologia e inovação para construir o amanhã”. O projeto implanta o uso da inteligência artificial nas escolas estaduais, com o Gemini, e a criação de um “CEP digital” para propriedades rurais.
O secretário estadual de Educação, Hélio Daher, afirmou que o principal desafio do Estado agora será capacitar os professores para utilização da inteligência artificial dentro das salas de aula, já que muitos profissionais não tiveram contato com esse tipo de tecnologia durante a formação acadêmica. “O Gemini hoje é uma ferramenta ampla e multidisciplinar. Pode trabalhar matemática, geografia e várias outras áreas. Vamos incentivar e cobrar o uso, porque é uma grande ferramenta”, afirmou.
O secretário também explicou que os celulares poderão ser utilizados em sala de aula exclusivamente para fins pedagógicos e dentro do planejamento do professor. “A partir de agora, a gente estabelece um cronograma nas escolas. Os professores vão inserir isso no planejamento”, afirmou. Segundo ele, os alunos continuarão utilizando contas institucionais do Gmail, e já existe monitoramento sobre as pesquisas realizadas dentro das plataformas.
Diretores das escolas estaduais afirmam que o uso das ferramentas do Google já faz parte da rotina escolar desde a pandemia, em 2020. A diretora adjunta da Escola Estadual Maria Elisa Bocaiúva, Neuzeli Silva, afirmou que o aprendizado aconteceu “na prática”, durante o período das aulas on-line.
“Nós já utilizamos o Google desde a época da pandemia, através das aulas virtuais on-line, que foram um diferencial muito grande. Tivemos que aprender na prática, sem saber direito como utilizar isso daí, para proporcionar pelo menos um pouco do aprendizado para os estudantes”, afirmou.
Segundo ela, a chegada da inteligência artificial pode ampliar ainda mais o acesso dos alunos da rede pública à tecnologia. “A inteligência artificial está aí para nos auxiliar, e eu acho excelente essa iniciativa do Governo do Estado de disponibilizar para os nossos estudantes o Gemini. Isso vai facilitar muito o aprendizado deles”, completou.
Entre os estudantes, a inteligência artificial já faz parte da rotina, especialmente em cursos ligados à tecnologia. Ainda assim, há preocupação sobre a forma como as ferramentas vêm sendo utilizadas.
O estudante da Escola Estadual Maria Elisa Bocaiúva, Luis Gustavo de Souza Lemes, de 14 anos, contou que já utiliza IA para estudos relacionados à robótica e programação. “A gente usa bastante para prompt no curso de TI, para comando e aprender sobre robótica, mas acho que ainda falta um pouco de orientação sobre o uso das ferramentas. Tem bastante mau uso sobre o aprendizado”, disse.
Para ele, a inteligência artificial pode ser uma aliada nos estudos quando utilizada corretamente. “Eu acho que é mais prático para estudar do que apenas jogar no Google”, afirmou.
Diretores da rede estadual avaliam que a tecnologia pode trazer avanços para o ensino, mas defendem acompanhamento constante para evitar que os alunos utilizem a inteligência artificial apenas como “muleta” para atividades escolares.
O diretor da Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, Márcio Bereta Cossato, acredita que a nova plataforma será mais robusta. “A escola já utiliza a tecnologia básica no dia a dia. No entanto, essa tecnologia que está vindo é mais robusta e vai facilitar muito o cotidiano do aluno e também do professor”, afirmou.
“Toda tecnologia é bem-vinda, no entanto, ela precisa ser assistida. Assim como o uso do celular, que é uma ferramenta proibida dentro da sala de aula e liberada somente para fins pedagógicos, essa nova tecnologia também precisa ser acompanhada pelo professor diariamente”, explicou. Ele também afirmou que ainda há expectativa sobre como funcionará o monitoramento da ferramenta dentro das escolas. “Esse detalhe nós ainda vamos aprender. Estamos todos ansiosos à espera”, completou.
Estado cria ‘CEP digital’ para propriedades rurais
Além da implantação da inteligência artificial como apoio pedagógico, foi lançado um sistema de localização digital para propriedades rurais, semelhante a um CEP, com geolocalização. A ferramenta foi apresentada pelo secretário-executivo da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Arthur Falcette, e pelo Diretor de Parcerias Globais do Google para a América Latina e o Canadá, Newton Neto.
Segundo eles, cada ponto do planeta possui coordenadas de latitude e longitude, e o Google conseguiu transformar essas informações em códigos alfanuméricos únicos. “Todo ponto no Google Maps representa latitude e longitude. Através de inteligência artificial, o algoritmo comprime esses códigos em uma sequência alfanumérica que lembra muito um CEP”, explicou Newton.
Com a tecnologia, será possível localizar qualquer propriedade rural com precisão de até três metros quadrados. “Com essa precisão, você consegue identificar qualquer ponto do planeta Terra”, afirmou.
Projeto começa com 24 mil propriedades rurais
Inicialmente, 24 mil propriedades rurais serão mapeadas no Estado com prioridade para áreas cadastradas na base rural do Imasul. A expectativa é de que o projeto alcance, futuramente, cerca de 90 mil propriedades.
Além de facilitar entregas, o sistema deve ajudar em atendimentos de emergência e serviços públicos. “O produtor rural poderá cadastrar sua propriedade e, caso solicite ambulância ou faça uma compra, o endereço será identificado imediatamente”, explicou Newton.
Segundo os representantes do projeto, o código será único em todas as regiões e poderá ser utilizado por diferentes órgãos públicos. “Esse número passa a ser único para todas as estruturas governamentais”, afirmou.
De acordo com o Governo do Estado, as tecnologias estão sendo disponibilizadas pelo Google sem contrapartida financeira nesta etapa da parceria.
Fonte: Midiamax
