Jurídico avança com olhar sensível de mulheres para direitos humanos, diz Tatiana Ujacow

Advogada e professora da UFMS, Tatiana representou mulheres brasileiras em reunião da ONU

Advogada é professora na UFMS. (Madu Livramento, Midiamax)

 

A sensibilidade do olhar feminino muda e garante avanços nos rumos do jurídico brasileiro. É o que defende a advogada e professora do ensino superior Tatiana Ujacow, nesta terça-feira (14). Para a profissional, mulheres possuem habilidades que vão ao encontro das lutas pelos direitos humanos.

“A maior transformação feminina que eu vejo, que muda os rumos do Direito, é a sensibilidade que nós temos no olhar para o outro. A mulher tem essa grande habilidade de olhar o outro, porque a gente é a geradora de vida”, destacou ao Midiamax.

Professora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Tatiana disse que, “por mais que não tenhamos filhos, nós nascemos com essa maternidade à flor da pele”. Assim, destacou que “essa maternidade vai sempre ao encontro das aspirações que a gente quer enquanto realização de direitos humanos, das pessoas nas classes mais vulneráveis, das pessoas que precisam, das pessoas que não têm acesso à Justiça”.

A ABMCJ-MS (Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica de Mato Grosso do Sul) empossou nesta terça-feira (14) a nova diretora para o triênio 2026-2029. Tatiana participou da agenda e prestigiou a nova diretoria.

Violência contra mulheres

Pensando na sensibilidade feminina, pontuou que a presença de mulheres no jurídico ajuda diretamente no combate à violência contra as mulheres. “Enquanto mulher, a gente sabe das lutas das mulheres, também, nos casos de violência contra a mulher; a dificuldade de acesso, a dificuldade de se expor, em que muitas mulheres se calam pela dificuldade de se expor”, ressaltou.

Por isso, a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica atua nestes aspectos. “Entendemos que essa luta tem que ser de toda a sociedade. Nós, como operadores do Direito, fazemos a nossa parte, tentamos influenciar no que a gente pode”, disse a advogada.

Então, Tatiana listou algumas das atividades que realizam: palestras, elucidação do direito às mulheres, “que, muitas vezes, nem estão conscientes dos direitos que têm”. Desta forma, destacou a participação na reunião da ONU em Nova York, pela defesa de direitos das mulheres.

“Discutimos justamente o acesso à Justiça das mulheres, em que diversas dificuldades foram ali trazidas por pessoas do mundo”, disse.

Mulheres trazem avanços para o jurídico, defende Tatiana. (Madu Livramento, Midiamax)

 

Mulheres indígenas

Ativista da causa indígena, Tatiana comentou também sobre a atuação com as comunidades originárias e o olhar para a pauta. Assim, destacou as barreiras que encontram quando se trata dos direitos de mulheres indígenas.

“A dificuldade está até na língua, no caso das mulheres indígenas. O acesso à Justiça que ninguém compreende, quase, e elas também, muitas vezes, não estão ali cientes do que elas têm direito”, explicou.

Por isso, reforçou que o “acesso à Justiça ainda é mais penoso, é mais difícil” para este grupo. A atuação se faz ainda mais necessária para estas mulheres. “Então, estamos muito felizes de participar, de estar ali ao lado, sempre procurando ajudar”, comentou com o Midiamax.

Olhar para o futuro

Com os avanços para as mulheres, o grupo mira no futuro. A professora universitária pontuou que “a mulher tem que ser valorizada, partindo dos direitos de igualdade que nós temos. Depois, a valorização do trabalho”.

Tatiana conta que a condição econômica das mulheres possui diversos fatores. “Nós vimos muito agora, nesse evento, a questão da condição econômica da mulher, que muitas vezes tem muitas funções. É sempre o mesmo discurso? Não é sempre o mesmo discurso, mas ele permanece”, alertou.

Ou seja, as mulheres estão em jornadas contínuas. “A nossa jornada de trabalho, acho que é quádrupla. E nós não temos, muitas vezes, as mulheres não têm uma autonomia que possa se sustentar, que possa sustentar os filhos”.

Logo, disse que, frequentemente, este cenário faz com que a mulher “permaneça, às vezes, numa relação abusiva por conta disso; é sem essa coragem”. Para Taiana, “o suporte é o que falta”.

“O suporte, o empoderamento da mulher, que é dotada de habilidades mil, que nós sabemos, de competência. Mas essa mulher tem que estar consciente. Esse papel de conscientização da mulher é de que nós somos capazes e nós podemos fazer muito melhor”, finalizou.

 

Fonte: Midiamax

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