Petição pelo fim do contrato com Consórcio Guaicurus vai aos terminais de Campo Grande

Mais de 7,7 mil aderiram ao documento que pede intervenção no transporte público

Petição recebe assinaturas de forma remota. (Pietra Dorneles, Midiamax)

 

A coleta de assinaturas da petição pelo fim do contrato com o Consórcio Guaicurus irá aos terminais de ônibus de Campo Grande nesta semana. Com rodas pegando fogo, goteiras, portas estragadas e superlotação, os veículos são alvo de reclamações diárias. Mais de 7,7 mil pessoas assinaram o documento que solicita intervenção no transporte público do município.

Ao Jornal Midiamax, o vereador Maicon Nogueira (PP) confirmou a ação nos terminais. Apesar da falta de resposta da Agetran (Agência Municipal de Trânsito de Campo Grande), equipe de voluntários se prepara para coletar assinaturas nos locais.

O parlamentar já havia adiantado ao Midiamax que a negativa da Agência não barraria a coleta nos terminais, já que solicitou a entrada em 30 de setembro. “Não responderam. Já se passou o prazo que pediram para a resposta, mas mesmo sem a resposta estaremos lá”, disse Maicon.

Assim, a primeira ação acontece na segunda-feira (13), no Terminal Morenão das 17h às 19h — horário de pico. O objetivo do vereador é incentivar a participação popular e alcançar 50 mil assinaturas até o fim de dezembro.

“Acredito que vai aumentar muito quando iniciarmos as ações nos terminais”, comentou com a reportagem.

Confira como assinar

Interessados em apoiar a petição podem realizar assinatura direto do celular. Para isso, basta abrir o site com o documento e preencher os dados solicitados.

Nome completo, telefone e CPF são as informações solicitadas. Então, para acessar o site e participar da petição, Clique aqui.

Ônibus do Consórcio Guaicurus pegou fogo na Avenida Guaicurus, em 23 de maio deste ano, e assustou usuários. (Reprodução)

 

Petição pelo fim do contrato do Consórcio

O documento divulgado pelo vereador Maicon aponta “inúmeras e reiteradas falhas na prestação dos serviços pelo Consórcio Guaicurus”. Assim, pede a adoção da medida extrema para intervenção por parte da Prefeitura de Campo Grande.

A concessão foi alvo de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Campo Grande. Logo, entre os descumprimentos contratuais apontados pela Comissão, estão: “A manutenção de frota envelhecida, em desacordo com os limites contratuais; ausência da contratação de seguro obrigatório; deficiências graves na manutenção preventiva e na acessibilidade dos veículos; e precariedade operacional, com frequentes atrasos, quebras e superlotação dos veículos”.

Portanto, a petição pontua que “tais práticas não apenas afrontam o contrato e a legislação, como também prejudicam diretamente a população campo-grandense, que depende do transporte coletivo para trabalhar, estudar e exercer sua cidadania de forma digna”.

Pior que a média brasileira

Os ônibus sucateados que atendem os usuários de Campo Grande são mais velhos que a média de frotas no país. Enquanto a média é de 6,5 anos no Brasil, o Consórcio Guaicurus mantém quase 100 ônibus com mais de 10 anos circulando na Capital de Mato Grosso do Sul. O dado nacional é de estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos.

Além disso, a idade ultrapassada dos veículos é facilmente percebida pelos usuários, que enfrentam superlotação, veículos quebrados e até roda pegando fogo. A realidade é confirmada em oitivas da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o transporte público em Campo Grande. Inclusive pela própria empresa.

Um dos diretores das empresas que comandam o transporte público na cidade confirmou a idade dos ônibus sucateados. “Temos acima dos 10 anos 97 carros”, disse o diretor de operações do Consórcio Guaicurus, Paulo Vitor Brito de Oliveira.

Consórcio Guaicurus briga na Justiça por mais dinheiro público

Diretor do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira. (Helder Carvalho, Jornal Midiamax)

 

Os empresários de ônibus de Campo Grande são o verdadeiro exemplo do ‘mau negócio’ que rende milhões. Na verdade, bilhões.

Isso porque a equipe técnica da Prefeitura da Capital certificou auditoria contábil nas planilhas do Consórcio Guaicurus e atestou que a concessionária teve receita de R$ 1.277.051.828,21 (um bilhão, duzentos e setenta e sete milhões, cinquenta e um mil, oitocentos e vinte e oito reais e vinte e um centavos), de 2012 a 2019.

Ou seja, o valor é somente dos oito primeiros anos do contrato. Os técnicos chegaram aos valores a partir de balanços enviados pelas próprias empresas de transporte.

Assim, o Consórcio Guaicurus será beneficiado com cerca de R$ 64 milhões somente este ano, entre subsídios e isenção fiscal do ISS (Imposto sobre Serviço).

Apesar de ter o apoio do presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), para conseguir mais dinheiro público por meio de subsídios, o Consórcio move série de processos para obter valores estratosféricos.

Enquanto banca time de advogados para tentar se livrar de indenizações a passageiros que se machucam em ônibus e obter ‘no tapetão’ mais recursos públicos, o Consórcio Guaicurus mantém frota sucateada nas ruas.

FONTE: MIDIAMAX

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