
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Segunda maior ilha da Itália, a Sardenha está no Mediterrâneo, a oeste do país, e tem algumas das praias consideradas as mais belas da Europa. É também um ótimo local para explorar de carro, pois tem estradas bonitas, bem conservadas, com vistas arrebatadoras e, ao menos no norte, sem pedágios.
Explorar toda a Sardenha de carro requer pelo menos 10 dias. Com 15, o viajante conseguirá conhecer tudo com mais calma. Eu tinha apenas seis dias (e cinco noites). Por isso, optei por fazer o norte da ilha, que tem as praias mais famosas (e consideradas as mais belas).
Nessa região, há dois aeroportos: Alghero, do lado oeste, e Olbia, no leste. A Sardenha tem uma terceira opção com voos comerciais mais regulares, o de Cagliari, capital da ilha. Este, no entanto, fica mais ao sul. A opção foi chegar por Alghero, pois oferecia horários de voos que representavam espera menor desde minha chegada a Malpensa (partindo do Brasil), o aeroporto internacional de Milão.
Aliás, vale dizer que apenas as companhias aéreas “low cost” (como Ryanair e Easy Jet) operam de Malpensa aos destinos da Sardenha. Para voos diretos com companhias aéreas convencionais (como a ITA), é preciso ir a Linate, o aeroporto de Milão com voos para as cidades da Itália e outros destinos da Europa (mais próximo ao centro).
No aeroporto de Alghero, aluguei um carro da categoria “compacto automático”, por meio da Hertz. Havia modelos da britânica (controlada pela chinesa Geely) MG e um Ford Puma (SUV compacto da Ford), que escolhi. Fiz todo o processo pelo site agregador de locadoras Rentcars, e paguei antecipadamente. Foram R$ 500 por dia, mas é possível conseguir modelos mais em conta. Um automóvel manual subcompacto saía por cerca de R$ 250 a diária.

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É preciso ficar atento aos seguros. No Rentcars, geralmente já há cobertura incluída. Porém, parte das locadoras cobra franquia em caso de furto ou dano, que pode ser bem salgada. A Hertz era uma das poucas que, por meio do agregador, não fazia essa cobrança. Tudo já estava incluído. Portanto, tive de deixar apenas 200 euros de caução no cartão de crédito.
Alghero foi minha primeira base, por dois dias. Ali, explorei a parte oeste do norte da Sardenha. Depois, parti às imediações de Porto Cervo, para conhecer as diversas praias da região (leia mais abaixo).
Estradas

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No norte da Sardenha, no entanto, são raros os trechos com a rodovia de pista dupla. Os roteiros são feitos principalmente pelas estrada secundárias, que deixam a viagem cênica. Isso porque elas são rodeadas por montanhas, videiras e, em diversos trechos, têm vista para o mar. São as chamadas estradas panorâmicas.
Nessas vias, a velocidade média fica em torno de 60 km/h, e não há mesmo razão nenhuma para correr. O legal é curtir a paisagem e se divertir nas curvas sem correr riscos. Aliás, elas são inúmeras, por toda a região.
Oeste da Sardenha
Em Alghero, hospedei-me no Sa Cheya Relais & Spa, um hotel rural a cerca de 10 minutos do centro com restaurante italiano contemporâneo que traz pratos criados para harmonizar com os vinhos da Sardenha. Aliás, esta é uma importante região produtora, com diversos pequenos hotéis localizados nas vinícolas.
O charmoso Sa Cheya (a partir de 250 euros a diária) tem piscina, café da manhã, serviços de spa e quadras de tênis. Atrai casais de todas as idades e algumas famílias. Para quem prefere se hospedar no centro da cidade de estilo catalão (os espanhóis dominaram Alghero no século XIV), a dica é o Villa Las Tronas Hotel & Spa (a partir de 300 euros por dia), um cinco-estrelas de estilo clássico próximo às principais atrações.

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Mas a dica fundamental no norte da Sardenha é desapegar das cidades, principalmente se o tempo for curto. Elas não são atraentes como em outras regiões da Itália. Por isso, aqui o que vale mesmo é explorar as praias e outras belezas naturais.
A cerca de 55 minutos de Alghero está a praia La Pelosa, que é considerada em diversos rankings a mais bonita da Itália. Fica em Stintino. A viagem, por estradas panorâmicas, leva cerca de uma hora. Mas é preciso pagar para entrar na praia, e reservar com (bastante) antecedência.
Caso não consiga reserva, ou não queira passar muito tempo sem infraestrutura (que la Pelosa não tem), dá para observar a praia de diversos mirantes no entorno, e depois passar o dia em alguns dos clubes de praia nas imediações. No Il Gabbiano, por exemplo, duas cadeiras e um guarda-sol partem de 40 euros. Há restaurante (até as 15h) e serviço de bar.

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Outra atração para quem está em Alghero é a Gruta de Neptuno, a 25 km (e cerca de 40 minutos). Trata-se de uma das maravilhas da Sardenha. Se descer (e depois subir) os mais de 600 degraus de escada que dão acesso à gruta não está no seu plano, é possível chegar de barco no centro de Alghero – dá também para usar sites como Booking e Decolar para comprar o passeio.
Rumo ao leste
A viagem entre Alghero e a região de Porto Cervo tem cerca de 160 km, e pode levar entre duas horas e duas horas e meia, dependendo do caminho escolhido. Mas pode reservar uma manhã, uma tarde ou até o dia todo. Em primeiro lugar, as estradas são belíssimas, e dá vontade de parar o tempo todo para fotos.

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Além disso, há algumas atrações para conhecer no caminho. Eu escolhi em fazer o trajeto pelo norte, que é um pouco mais demorado, mas tem coisas bem legais para ver. Minha primeira parada foi em Sassari, a segunda maior cidade da ilha, com um pequeno centro histórico marcado por praças e palácios.
Em seguida, passei em Castelsardo, a vila medieval mais bonita da Sardenha. Do alto da cidade histórica, o mar tem um tom azul impressionante. Além dos mirantes e das ruas que nos transportam ao passado distante, o centro murado tem como atração o Castelo de Doria.

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Quem tiver mais tempo, ou mesmo uma noite extra, pode conhecer a bonita Cala Li Cossi, que fica na Costa Paradiso, também no caminho entre Alghero e Porto Cervo.
As praias do leste

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Para explorar a região leste escolhi o L’EA Bianca (a partir de 450 euros a diária na alta temporada), um cinco-estrelas com clube de praia localizado em uma baía a 15 minutos de Porto Cervo, em Baja Sardinia. O restaurante do hotel é um dos melhores que experimentei na Sardenha, e há ainda bar e spa, além de serviços como passeios de barcos – exclusivos ou em grupos.
Os quartos, confortáveis e luxuosos, têm varanda, vista para a baía e decoração mediterrânea. O L’EA Bianca está a 15 minutos de Porto Cervo, que parece tudo, menos uma cidade italiana. Cheia de bares, restaurantes, casas noturnas, hotéis de luxo e lojas e grife, é também um dos locais mais internacionais do país – ali, escuta-se mais o inglês do que o italiano.

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É a estação de veraneio da Itália mais apreciada por celebridades e pelo jet set internacional. Independentemente de gostar do estilo, Porto Cervo e suas imediações são ideais para explorar as belas praias do leste – e com direito a ótimos restaurantes à noite e no fim da tarde. Essa região é conhecida como Costa Esmeralda, por causa da cor do mar – a parte do Mediterrâneo conhecida como Mar Tirreno.
Liscia Ruja é a praia dos clubes. Entre eles, o White, que cobra a partir de 55 euros por duas espreguiçadeiras e um guarda-sol, tem restaurante e serviços de bar e massagem. Ali, é comum o movimento de barcos privados, cujos passageiros desembarcam para curtirem o dia nos clubes.

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Capriccioli é outra praia belíssima de águas esverdeadas da região. Ocupa uma pequena faixa de areia, em que os visitantes estendem suas esteiras, toalhas ou cangas. Por 15 euros, dá para alugar cadeira e guarda-sol.
E há ainda o Vesper Beach Club, sem acesso à faixa de areia e com preços em torno de 150 euros para duas pessoas. Já as praias Pevero e Grande Pevero, que são vizinhas, têm um tom mais azulado. Por ali, estão clubes de alguns hotéis de luxo da região, mas também a possibilidade de alugar estrutura de espreguiçadeiras e guarda-sol para dois, a partir de 30 euros.

Imagem: Ford Puma
Muitos optam por levarem suas esteiras ou toalhas e estenderem na areia. Logo na entrada de Grande Pevero, há um bar que serve de apoio aos visitantes, com comidas, bebidas e banheiros. Outro programa imperdível é visitar o arquipélago de La Maddalena, ao norte.
Dá para ir de carro, mas o ideal é reservar um passeio de barco para conhecer a ilha. Você pode reservar em seu hotel, ou por meio de sites como Booking e Decolar. Os preços partem de 50 euros, mas podem ultrapassar os 200 euros (para os mais exclusivos, com almoço e bebidas). A duração é em torno de seis horas.
Dicas
É boa a estrutura de estacionamentos na Sardenha. Nas praias, a maioria cobra pelo dia todo, em preço único que varia de 5 a 15 euros. Liscia Ruja, por exemplo, tem diversas opções, em frente aos clubes. Em Caprioccioli, há apenas dois – o mais próximo da praia está sempre cheio.

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Já nas cidades, o mais comum é o parquímetro, mesmo em locais fechados. Paga-se pelo tempo, mas é preciso decidir isso antes – e colocar o ticket no para-brisa. No período noturno, em muitos dias e horários esses estacionamentos são gratuitos – há sempre placas com indicações sobre as regras.
Parar sem pagar nos locais em que há cobrança gera multa, e a fiscalização é rigorosa. O valor vai depender do local, mas giram em torno de 40 euros – que podem ser pagos em tabacarias. Para aqueles que não fizeram o pagamento, a locadora envia a cobrança, posteriormente.

Imagem: Rafaela Borges/UOL
Na Sardenha, como na maior parte dos locais da Itália, o combustível é self-service. Usa-se o cartão de crédito para liberar a bomba. Ao final, é feita a cobrança. Como é realizada uma retenção temporária de cerca de 100 euros, não é recomendável usar cartões de débitos internacionas, que muitas vezes só liberam o valor quando já retornamos ao Brasil.
Como em outras regiões litorâneas da Itália, a gastronomia da Sardenha é baseada em peixes e frutos do mar, ingredientes comuns mesmo nas massas e risotos. Entre as dicas de restaurante há o Ill Pavone, no centro de Alghero, especializado em frutos do mar, e o badalado Pedri Garden, em Porto Cervo (só abre na alta temporada).
FONTE: UOL
