Sebo bovino movimentou mais de US$ 9 milhões e pode ser o único produto de MS taxado pelos EUA

O produto é o 5° mais exportado pelo Estado ao país norte-americano

Setor de carnes é destaque da região. (Foto: Divulgação, Semadesc)

 

Sebo bovino fundido pode ser o único produto de Mato Grosso do Sul a ser taxado em 25% pelos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2026, o Estado vendeu nove mil toneladas do produto ao país, com movimentação superior a US$ 9,8 milhões. Este foi o quinto item mais exportado, representando 2,65% do comércio entre MS e EUA entre janeiro e junho.

Na quarta-feira (15), o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) oficializou a tarifa de 25% aos produtos brasileiros, mas com 2,1 mil itens na lista de isenção. Carne bovina e a maior parte dos seus derivados estão na relação de exceções, mas o sebo não aparece explicitamente na lista. Assim, representantes do setor em Mato Grosso do Sul ainda avaliam quais podem ser os impactos.

Questionado pela reportagem sobre o assunto, Regis Comarella, presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado de Mato Grosso do Sul), diz que é necessário estudar melhor as normativas publicadas pelo governo norte-americano. “O que sabemos no momento é que a carne é um dos produtos que vão ter isenção, mas, quanto ao sebo e outros produtos, ainda não tenho uma definição”, explica.

MS é poupado pelas tarifas

Entre janeiro e junho de 2026, o Estado exportou 437,3 mil toneladas aos Estados Unidos, com movimentação superior a US$ 370,5 milhões, o que equivale a R$ 1,8 bilhão, conforme a cotação do dólar nesta quinta-feira (16). Os dados são disponibilizados no Observatório da Indústria.

Carne bovina desossada e congelada corresponde a 51,4% das exportações aos Estados Unidos, seguida de ferro-gusa fundido bruto (20%), celulose (16%), carne bovina fresca ou refrigerada (5,42%), carne bovina em salmoura ou defumada (1,67%) e filé de tilápia (1,1%). Todos esses produtos, que correspondem a 96% das exportações de MS aos Estados Unidos, estão livres da nova tarifa.

Além do sebo bovino, itens que representam menos de 0,1% das exportações aos Estados Unidos, como maiôs e biquínis de banho (0,03%) e ovos sem casca e secos (0,03%), serão taxados em 25% com essa nova decisão.

Novo tarifaço

A decisão de impor o novo tarifaço de 25% é fruto da investigação do USTR, que acusou o governo brasileiro de “práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias de governos estrangeiros que oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O etanol, o Pix e o desmatamento ilegal são algumas das motivações da taxa.

 

maior parte dos produtos já estava isenta da cobrança quando a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos foi concluída, em junho, mas o governo norte-americano ampliou as exclusões nesta quarta (15). O ferro-gusa de Mato Grosso do Sul entrou na lista de isenções só agora.

As exceções às tarifas foram aplicadas a produtos considerados importantes para a indústria estadunidense, mas que têm pouca oferta no país. Assim, a taxa poderia causar impacto negativo à produção dos Estados Unidos.

Exportações de MS

Ainda conforme o Observatório da Indústria, painel publicado pela Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial estrangeiro do Estado.

A China é a principal parceira, responsável pela compra de 1,8 milhão de toneladas, o que representa US$ 1,3 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano.

Neste período, as exportações totais do Estado acumulam movimentação de US$ 3,83 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano passado, o valor era de US$ 3,78 bilhões. Ou seja, as exportações do primeiro semestre de 2026 superam o registrado em 2025.

As exportações aos Estados Unidos também subiram neste período, apesar dos imbróglios na política internacional entre os dois países. Entre janeiro e junho de 2025, o comércio internacional com o país norte-americano movimentou US$ 3,2 milhões, ante US$ 3,7 milhões no mesmo período deste ano.

Jornal Midiamax também entrou em contato com a Nelore-MS (Associação Sul-Mato-Grossense dos Criadores de Nelore) e a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) para questionar se o sebo bovino sul-mato-grossense será taxado e qual o impacto ao setor. A reportagem aguarda resposta.

 

Fonte: Midiamax

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