TCU encontra irregularidades em 82% das emendas Pix auditadas e estima prejuízo de R$ 49 mi

Entidade afirmou também que foram constatadas fraudes em processos licitatórios e contratações de empresas inidôneas

Sede do TCU. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

 

Entre os problemas mais recorrentes identificados pelo TCU estão falhas na transparência e na rastreabilidade dos recursos. Segundo os auditores, em diversos casos os valores foram movimentados em contas bancárias que não eram exclusivas para as transferências especiais, além da ausência de envio de relatórios parciais e finais de execução ao sistema Transferegov br. Somente essas falhas representam um prejuízo estimado em R$ 26,36 milhões.

A auditoria também encontrou pagamentos realizados sem documentação jurídica ou fiscal considerada idônea, despesas incompatíveis com a finalidade da transferência especial e desembolsos sem comprovação da execução dos serviços ou da quantidade de bens contratados. Nessas situações, o dano estimado chega a R$ 14,96 milhões.

Outro grupo de irregularidades envolve a execução de obras e serviços. Os técnicos identificaram casos de empreendimentos parcialmente ou totalmente não executados, além de indícios de superfaturamento de preços, com prejuízo calculado em R$ 14,1 milhões.

Também foram constatadas fraudes em processos licitatórios e contratações de empresas declaradas inidôneas. Nesses casos, entretanto, o TCU informou que não foi possível mensurar o impacto financeiro.

De acordo com o tribunal, as irregularidades levaram à instauração de processos de tomada de contas especial, mecanismo utilizado para identificar os responsáveis pelos danos e buscar o ressarcimento dos recursos públicos.

Fragilidades no sistema

Além das falhas na aplicação dos recursos, o TCU identificou vulnerabilidades no módulo de transferências especiais do Transferegov.br, plataforma utilizada para acompanhar a execução das emendas.

Entre os problemas apontados estão a aceitação de informações genéricas nos planos de trabalho, a possibilidade de alterações sem restrições em objetos, metas e valores após o registro inicial e inconsistências na exibição dos saldos bancários, o que, segundo os auditores, pode induzir gestores e usuários ao erro.

Como medida corretiva, o plenário do TCU determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) promova, no prazo de até 120 dias, ajustes no sistema para impedir alterações posteriores nos planos de trabalho referentes às transferências especiais realizadas entre 2020 e 2024, reforçando os mecanismos de controle e rastreabilidade dos recursos.

 

Fonte: Midiamax

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