Prefeitura cria grupo de trabalho para avaliar intervenção no Consórcio Guaicurus

Prazo dado pela Justiça para iniciar a investigação no contrato acaba no próximo dia 9 de março

Ônibus na garagem do Consórcio Guaicurus. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

 

A Prefeitura de Campo Grande criou um Grupo de Trabalho, que nos próximos 60 dias vai avaliar se o Executivo Municipal intervém ou não no Consórcio Guaicurus — empresa responsável pelo transporte coletivo da Capital, que diariamente é criticada pelos usuários.

O grupo será encabeçado pela PGM (Procuradora-Geral do Município), Cecília Rizkallah, que adiantou ao Jornal Midiamax que os trabalhos vão focar no cumprimento do contrato de concessão — ou seja, vão analisar tudo que o Consórcio Guaicurus faz de errado ou deixa de fazer dentro daquilo que foi combinado contratualmente.

“Vamos verificar basicamente o descumprimento do contrato: a frota, rota, horário, enfim, tudo que tem de previsão no contrato, se está sendo cumprido, se não está. A gente sabe que, conforme informações da mídia, da CPI, existem algumas situações que a gente vai fazer o levantamento”, explica à reportagem.

Diariamente, a população acaba sendo prejudicada por conta de problemas causados pelo Consórcio Guaicurus — casos registrados pelo Jornal Midiamax —, como atrasos, falhas mecânicas nos veículos (que chegam a colocar em risco a integridade dos passageiros) e até extinção de linhas sem aviso prévio.

Ao fim da apuração, a comissão vai abrir espaço para o Consórcio Guaicurus se defender do que foi apurado e, então, tomar uma decisão sobre a necessidade de intervenção. Os trabalhos já devem começar na segunda-feira (9) — último dia do prazo dado pela Justiça.

O grupo será formado por quatro PGMs, dois servidores da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), um da Agereg (Agência Municipal de Regulação) e uma da Casa Civil. O grupo deve ser formalizado ainda em publicação no Diário Oficial ainda nesta sexta-feira (6).

Prefeitura de Campo Grande (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

 

Intervenção no Consórcio Guaicurus

Em 17 de dezembro de 2025, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou a intervenção no Consórcio Guaicurus. A ação popular foi proposta pelo candidato à Prefeitura de Campo Grande Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, conhecido como Luso Queiroz.

O autor alegou uma série de itens que não foram cumpridos no contrato e motivariam a intervenção, como a frota sucateada, falta de manutenção preventiva e corretiva e inexistência de seguros obrigatórios. Ainda foi citado o possível desvio de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês, sem justificativa, e a alienação de imóvel da Viação Cidade Morena por R$ 14.405.170,30, sem destinação transparente ou reinvestimento no sistema.

Uma intervenção no contrato já foi discutida em 2025, após a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guaicurus, aberta pela Câmara dos Vereadores de Campo Grande, a qual identificou uma série de irregularidades no cumprimento do contrato. Três meses após a apresentação do relatório final, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou um inquérito civil para apurar as falhas identificadas pela CPI.

Membros da CPI do Consórcio Guaicurus da Câmara Municipal. (Arquivo, Arquivo, Jornal Midiamax)

 

Consórcio Guaicurus insiste em tarifa de R$ 7,79

O Consórcio Guaicurus voltou a insistir na tentativa de elevar a tarifa técnica para R$ 7,79. Esse valor é aquele pago pelo município, enquanto a tarifa pública é de R$ 4,95.

Essa diferença é custeada pela prefeitura com subsídio anual. Nesta semana, a Câmara Municipal aprovou aporte de R$ 28 milhões para os empresários dos ônibus.

Em agosto de 2025, o Consórcio apresentou ação de cumprimento de sentença exigindo a tarifa técnica de R$ 7,79. Isso foi pouco depois da Justiça determinar a correção do valor. A prefeitura atualizou em 6,49%, fixando a tarifa técnica em R$ 6,57.

Na manifestação apresentada no dia 24 de fevereiro, os advogados da concessionária citam a possibilidade de passar por intervenção e reforçam o pedido pelo aumento da tarifa.

 

Fonte: Midiamax

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