No entanto, empresas do transporte coletivo negam haver negociação para grupos de fora de MS assumirem o serviço

Rumores sobre uma possível venda do Consórcio Guaicurus ganham força enquanto o processo de intervenção avança na Prefeitura de Campo Grande.
A reportagem do Jornal Midiamax confirmou que o conglomerado de empresas que detém concessão bilionária passa por uma auditoria externa, chamada de ‘due diligence‘.
Esse seria o primeiro passo em um processo de venda. Normalmente, um relatório auditado serve como referência em negociações de empresas, pois contém análise profunda sobre a empresa e serve para basear processos de venda.
Fontes de dentro do Consórcio Guaicurus ouvidas pela reportagem confirmam que há especulações sobre o tema entre funcionários. “A conversa que circulou hoje é de que uma empresa vai assumir a operação, que vai trazer 100 veículos usados para substituir os mais críticos”, disse um funcionário, que prefere manter o anonimato.
Em meio ao processo de intervenção, o Consórcio Guaicurus também tirou de cena o então diretor Themis Oliveira e colocou João Rezende novamente à frente dos negócios comandados pela família Constantino.
Aliás, funcionários comentaram com a reportagem que Rezende estaria na ponta de lança das negociações: “Até o senhor João Rezende, que estava sumido, tem ido à garagem todos os dias acompanhar os trabalhos de perto”.
A interessada em assumir o transporte público de Campo Grande é uma empresa que opera o serviço em Goiás e Brasília. Aliás, uma empresa goiana é quem estaria realizando os trabalhos de auditoria.
Representantes do grupo goiano também já estiveram nos pátios das empresas que formam o Consórcio Guaicurus para avaliação in loco, segundo fontes do Jornal Midiamax.
Troca de comando e ‘reestruturação’

Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus confirmou haver uma auditoria externa, mas evitou dar mais detalhes, limitando-se a dizer que “as auditorias realizadas na concessionária são de natureza sistêmica, periódica e decorrem de estrita determinação editalícia e contratual, fazendo parte da rotina de fiscalização do serviço”.
Sobre a possível venda, a empresa afirmou que “não existe qualquer processo de compra ou venda do Consórcio Guaicurus. Inclusive, por força legal e contratual, qualquer alteração dessa natureza dependeria de prévia anuência do poder público municipal”.
Conforme o contrato de concessão, a venda do Consórcio Guaicurus é permitida, desde que tenha o aval da Prefeitura. A reportagem apurou que o município não recebeu qualquer comunicação oficial sobre a possível venda.
Sobre a troca de comando, o Consórcio Guaicurus disse que “trata-se de um processo estritamente corporativo de governança e reestruturação interna”, sem dar mais detalhes.
O vereador Maicon Nogueira (PP) também deu declarações afirmando ter recebido informações sobre a suposta venda do Consórcio Guaicurus a outro grupo. “Temos a informação de que houve uma tentativa de venda da empresa para um grupo de outro Estado e estamos aguardando os desdobramentos. A saída do diretor pode ser um indicativo de que houve essa venda”, sugeriu o parlamentar.
Comissão da intervenção pressiona Consórcio
Enquanto isso, o Consórcio Guaicurus deve ser intimado ainda nesta semana a se posicionar sobre um relatório que aponta diversas irregularidades contratuais.
Tudo foi levantado pela comissão que conduz os trabalhos para analisar a intervenção na concessionária.
Em 17 de dezembro de 2025, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou abertura de processo para avaliar possível intervenção no Consórcio Guaicurus.
As empresas assumiram o transporte público da Capital em outubro de 2012 e, desde então, enfrentam duras críticas pela má qualidade do serviço oferecido. Nesse intervalo de tempo, o Consórcio Guaicurus já foi alvo de diversas CPIs, que sempre ‘terminaram em pizza’. A mais recente, no ano passado, teve relatório encaminhado ao MPMS, onde o caso está parado.
Conforme apurado pela reportagem, o processo deve entrar na reta final. O prazo seria agora em maio, mas houve pedido de prorrogação de 30 dias. Ou seja, o documento que pode sugerir a intervenção no Consórcio Guaicurus à prefeita Adriane Lopes (PP) deve estar pronto até o começo de junho.
Os trabalhos são conduzidos pela PGM (procuradora-geral do Município), Cecília Saad Cruz Rizkallah.
Fonte: Midiamax
